A construção naval na Bahia ganhou uma nova frente de investimentos com a aprovação de quatro projetos financiados pelo Fundo da Marinha Mercante. As iniciativas somam R$ 953,2 milhões e preveem a construção de 13 embarcações no estaleiro Belov Offshore Industrial, localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
A decisão foi tomada em 8 de outubro de 2026, durante a 64ª reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante. O Ministério de Portos e Aeroportos divulgou os investimentos em 13 de outubro e informou que os empreendimentos têm potencial para gerar 750 empregos diretos na Bahia.
O pacote reúne embarcações destinadas a diferentes atividades da infraestrutura aquaviária brasileira. A carteira inclui unidades para transporte fluvial de minérios, operações portuárias, movimentação de carga geral, apoio marítimo e trabalhos em alto-mar. Com isso, o financiamento alcança segmentos que conectam a indústria naval à logística de commodities e ao funcionamento dos portos.
Projetos atendem transporte fluvial e operações portuárias
Entre os empreendimentos aprovados estão quatro empurradores fluviais destinados ao transporte de minérios pelos rios Paraguai e Paraná. Essas embarcações serão empregadas em uma operação diretamente relacionada ao deslocamento de cargas por vias interiores, ampliando a presença da indústria baiana em uma cadeia logística que ultrapassa os limites do estado.
Também está prevista a construção de seis rebocadores portuários. As unidades serão desenvolvidas para atender às demandas de manobra e apoio em áreas portuárias, atividade essencial para a movimentação segura de navios e cargas. Os projetos estão associados à SAAM Towage Brasil e somam R$ 343,85 milhões em investimentos.
O conjunto inclui ainda duas balsas de 60 metros destinadas ao transporte de carga geral e ao apoio marítimo. Completa a carteira uma balsa autoelevatória voltada a operações em alto-mar. A variedade de modelos mostra que os recursos aprovados não se concentram em um único tipo de embarcação, mas abrangem diferentes necessidades da navegação comercial.
LHG Logística concentra um dos maiores projetos
Entre as empresas envolvidas, a LHG Logística aparece com investimentos estimados em R$ 402,7 milhões. O projeto está relacionado à construção dos empurradores fluviais para o transporte de minérios nos rios Paraguai e Paraná, segundo as informações divulgadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
Parte das embarcações previstas contará com motores de menor emissão de dióxido de carbono. A medida foi destacada pelo ministério como um dos elementos dos projetos aprovados e relaciona a renovação da frota comercial a uma busca por soluções com menor impacto nas operações de transporte e apoio marítimo.
A execução dos contratos no Belov Offshore Industrial também reforça o papel dos estaleiros instalados fora dos grandes centros tradicionais da indústria naval. Em Simões Filho, o empreendimento deverá concentrar a construção das unidades e movimentar uma rede de atividades associadas ao fornecimento de equipamentos, serviços especializados e mão de obra.
Fundo da Marinha Mercante apoia retomada do setor
O Fundo da Marinha Mercante é o instrumento utilizado para financiar projetos ligados à construção e à modernização de embarcações e estaleiros. Nesta aprovação, os recursos foram direcionados a uma carteira que envolve transporte fluvial, rebocagem portuária, carga geral e suporte a operações offshore.
Para a Bahia, o efeito mais imediato está relacionado à previsão de 750 empregos diretos durante a execução dos projetos. Além das vagas no estaleiro, a construção das embarcações pode ampliar a demanda por fornecedores e profissionais especializados, embora a divulgação oficial não apresente uma estimativa adicional para empregos indiretos ou para o cronograma de cada obra.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, a aprovação fortalece a indústria naval do Nordeste. O anúncio posiciona os novos projetos como parte de uma agenda de estímulo à capacidade produtiva nacional e de integração entre estaleiros, empresas de logística, operadores portuários e cadeias de transporte aquaviário.
Os valores aprovados representam uma autorização para o avanço dos empreendimentos, mas as informações divulgadas não detalham prazos de entrega, início das obras ou previsão de entrada em operação das 13 embarcações. Esses próximos passos deverão depender da execução dos projetos pelas empresas envolvidas e pelo estaleiro responsável pela construção.

