A Organização Marítima Internacional (IMO) aprovou, em 9 de outubro de 2026, estruturas globais para avaliar pesquisas de geoengenharia marinha. A decisão foi tomada durante a 48ª Reunião Consultiva das Partes da Convenção de Londres e a 21ª Reunião das Partes do Protocolo de Londres, realizadas entre 5 e 9 de outubro, na sede da entidade, em Londres.
Os critérios foram desenvolvidos para propostas que investiguem técnicas capazes de interferir em processos marinhos com o objetivo de remover ou armazenar carbono. Entre os exemplos estão a fertilização dos oceanos, o aumento da alcalinidade marinha e o afundamento de biomassa. A IMO destacou que o conhecimento científico sobre essas abordagens ainda é limitado e que qualquer avanço deve considerar prioritariamente a proteção dos ecossistemas oceânicos.
O que os critérios da IMO passam a avaliar
De acordo com a Organização Marítima Internacional, as estruturas estabelecem um processo com diferentes etapas antes, durante e depois da realização de projetos de pesquisa. A análise deve começar por uma triagem inicial, seguida de avaliação ambiental, gerenciamento de riscos, tomada de decisão, monitoramento e revisão posterior.
Na prática, uma proposta deverá demonstrar que possui finalidade científica legítima e apresentar informações suficientes para que seus possíveis efeitos sejam examinados. O processo também prevê consulta às partes interessadas, revisão especializada e transparência na divulgação dos resultados. Assim, a pesquisa não será analisada apenas pelo potencial de remoção de carbono, mas também pelos riscos associados à intervenção no ambiente marinho.
As exigências refletem uma preocupação central da IMO: técnicas concebidas para enfrentar a crise climática podem produzir efeitos ambientais difíceis de antecipar. Alterações químicas, biológicas ou físicas no oceano precisam ser acompanhadas com critérios capazes de identificar impactos, incertezas e eventuais consequências não intencionais.
Por que a geoengenharia marinha entrou no debate regulatório
A geoengenharia marinha reúne propostas que buscam influenciar processos naturais do oceano para contribuir com o armazenamento ou a remoção de carbono. A fertilização dos oceanos, por exemplo, aparece entre as linhas de pesquisa avaliadas, assim como o aumento da alcalinidade da água e o afundamento de biomassa. Cada abordagem envolve mecanismos diferentes e, segundo a IMO, ainda demanda ampliação do conhecimento científico.
A aprovação dos critérios não representa uma autorização geral para a aplicação comercial dessas técnicas. O foco anunciado pela organização está na avaliação de atividades de pesquisa, com a exigência de que os projetos sejam examinados de maneira estruturada e transparente. O objetivo é criar uma referência internacional para decisões que envolvam intervenções experimentais no ambiente marinho.
Para pesquisadores, autoridades e empresas ligadas ao setor marítimo, a definição desses parâmetros pode influenciar a preparação de estudos, a documentação ambiental e o planejamento de operações no oceano. A necessidade de monitoramento e revisão também indica que os resultados de uma pesquisa deverão ser considerados depois de sua execução, e não apenas no momento da aprovação.
Impactos para a governança dos oceanos
A decisão amplia o espaço da governança marítima internacional em um campo que combina ciência climática, tecnologia e proteção ambiental. Ao estabelecer etapas comuns de análise, a IMO busca reduzir avaliações fragmentadas e incentivar que diferentes projetos sejam examinados a partir de critérios comparáveis.
A própria organização reforçou que as pesquisas devem avançar com cautela. Essa orientação é relevante porque os oceanos conectam diferentes países e atividades econômicas, incluindo transporte marítimo, pesca, turismo, pesquisa científica e operações offshore. Uma intervenção localizada pode exigir avaliação de efeitos que ultrapassem a área imediata do projeto.
Atualizações institucionais disponíveis na página de novidades da IMO também mostram que a proteção ambiental, a descarbonização e a modernização das atividades marítimas fazem parte da agenda recente da entidade. Nesse contexto, os novos frameworks colocam a pesquisa de remoção de carbono dentro de uma discussão mais ampla sobre o futuro do oceano e os limites da inovação.
Fibra de vidro também entra nas decisões da reunião
Além da geoengenharia marinha, a reunião realizada em Londres aprovou orientações sobre o gerenciamento do fim da vida útil de embarcações fabricadas com plástico reforçado com fibra de vidro. A entidade também tratou de alternativas ao descarte desses materiais no mar.
O tema tem conexão direta com a indústria náutica, que enfrenta desafios relacionados à destinação de cascos e componentes de fibra de vidro quando essas estruturas deixam de ser utilizadas. Embora seja uma frente diferente da avaliação de tecnologias de remoção de carbono, a discussão reforça a preocupação da IMO com os impactos ambientais associados à atividade marítima.
Com os critérios para pesquisas de geoengenharia e as orientações sobre embarcações de fibra de vidro, a IMO sinaliza que inovação e sustentabilidade precisam caminhar acompanhadas de avaliação técnica, transparência e responsabilidade ambiental. Os próximos projetos submetidos dentro desse campo deverão ser analisados considerando tanto seus objetivos científicos quanto a proteção dos ecossistemas marinhos.

