A edição de 2025 do São Paulo Boat Show deixou claro que a tecnologia embarcada deixou de ser um diferencial e passou a ocupar posição central na experiência náutica contemporânea. Mais do que exibir novidades, o evento revelou uma mudança de mentalidade do setor, que hoje enxerga os eletrônicos como ferramentas essenciais para segurança, conforto, eficiência e valorização das embarcações. Ao longo deste artigo, analisamos como essa transformação se manifesta, quais tendências se consolidam e de que forma elas impactam, de maneira prática, a navegação recreativa e profissional.
O crescimento da presença de soluções eletrônicas no salão reflete uma demanda real do mercado. Proprietários de barcos, estaleiros e operadores passaram a buscar sistemas que integrem funções, reduzam a complexidade operacional e ampliem a confiabilidade a bordo. Esse movimento acompanha um perfil de consumidor mais exigente, que valoriza tecnologia intuitiva, durável e alinhada ao uso cotidiano da embarcação, e não apenas recursos sofisticados de apelo estético.
Entre os destaques, chamou atenção a evolução dos sistemas de controle e automação. Painéis inteligentes, comandos sensíveis ao toque e integração entre iluminação, energia e equipamentos internos apontam para uma navegação mais racional e segura. A redução de interfaces dispersas e a centralização de funções tornam o uso mais simples, especialmente para quem navega com tripulação reduzida ou em ambientes urbanos e costeiros, onde a atenção precisa estar voltada para o entorno.
Outro aspecto relevante foi a valorização da iluminação funcional e decorativa. Soluções subaquáticas e internas deixaram de ser meramente visuais para assumir papel estratégico na segurança, na orientação espacial e na experiência noturna. A iluminação adequada melhora a percepção do ambiente, contribui para manobras mais seguras e cria um padrão de conforto que se aproxima cada vez mais do observado em residências e veículos de alto padrão.
No campo do entretenimento, os sistemas de áudio e conectividade demonstraram maturidade tecnológica. Equipamentos projetados especificamente para o ambiente marítimo combinam resistência, qualidade sonora e integração com dispositivos móveis. Essa convergência reforça a ideia de que o barco, para muitos usuários, é uma extensão do espaço social, exigindo soluções que funcionem bem mesmo sob vibração, umidade e exposição ao sol, sem comprometer desempenho ou durabilidade.
A segurança, por sua vez, apareceu como um dos eixos mais consistentes da evolução tecnológica. Câmeras térmicas, sensores e sistemas de monitoramento ampliam a capacidade de percepção do navegante, sobretudo em situações de baixa visibilidade. Esse tipo de recurso deixa de ser exclusivo de embarcações de grande porte e começa a se tornar acessível a um público mais amplo, o que contribui para reduzir riscos e ampliar a confiança durante a navegação noturna ou em áreas congestionadas.
Também se destacou o avanço de equipamentos voltados ao conforto térmico e à autonomia a bordo. Sistemas de refrigeração mais eficientes e adaptados às condições marítimas evidenciam uma preocupação crescente com a permanência prolongada no mar. A lógica é clara: quanto mais confiáveis e eficientes forem os eletrônicos, maior será a independência da embarcação em relação à infraestrutura externa, ampliando possibilidades de uso e roteiros.
Do ponto de vista editorial, o que se observa é um setor que amadureceu tecnologicamente e passou a priorizar soluções aplicáveis, em vez de inovações pontuais sem conexão com o uso real. A tecnologia embarcada apresentada em 2025 dialoga com um cenário de navegação mais consciente, onde eficiência energética, facilidade de manutenção e integração de sistemas se tornam critérios decisivos de compra.
Para o mercado, essa tendência tem efeitos diretos. Embarcações equipadas com eletrônicos atualizados tendem a apresentar maior valorização, melhor aceitação no mercado secundário e maior atratividade para locação e uso compartilhado. Para o usuário final, o ganho se traduz em mais segurança, menos improviso e uma experiência mais previsível, algo fundamental em um ambiente naturalmente instável como o marítimo.
Em síntese, o São Paulo Boat Show 2025 mostrou que a tecnologia embarcada não é mais um acessório, mas um elemento estrutural da navegação moderna. A consolidação de sistemas inteligentes, robustos e integrados sinaliza um futuro em que navegar será cada vez mais intuitivo, seguro e confortável. Para quem acompanha o setor, fica evidente que investir em eletrônicos de qualidade deixou de ser tendência e passou a ser uma decisão estratégica.
Autor: Jenff Adyarus

