Durante a gravidez e a amamentação, as mamas aumentam, ficam mais firmes e podem apresentar nódulos. Sob o olhar do médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a combinação dessas mudanças com a ideia de que exames de imagem são proibidos no período leva muitas mulheres a adiar a investigação de alterações que merecem atenção. Algumas crenças sobre o tema precisam ser revistas, porque o atraso no diagnóstico nessa fase costuma ter consequências importantes.
Nem toda alteração é efeito dos hormônios
A primeira ideia equivocada é a de que qualquer nódulo surgido na gestação é consequência natural das transformações hormonais. De fato, a maior parte das alterações nesse período é benigna, como fibroadenomas que crescem por estímulo hormonal, cistos e ductos dilatados pelo leite.
O câncer de mama associado à gestação, porém, existe. A definição inclui tumores diagnosticados durante a gravidez ou no primeiro ano após o parto, e a ocorrência tende a crescer à medida que mais mulheres engravidam depois dos 35 anos. Um nódulo que persiste ou aumenta por mais de algumas semanas deve ser avaliado.
Exames de imagem são permitidos na gravidez
Outra crença frequente é a de que nenhum exame pode ser feito até o fim da gestação. A ultrassonografia é o método inicial indicado, porque não usa radiação e diferencia bem nódulos sólidos de cistos. Em grande parte dos casos, esclarece o achado sem necessidade de outros exames.
A mamografia também pode ser realizada quando há suspeita. A dose de radiação é baixa e dirigida às mamas, e o abdômen é protegido durante o exame, o que torna a exposição do bebê desprezível. Para Vinicius Rodrigues, o risco teórico da radiação precisa ser comparado ao risco real de adiar por meses o diagnóstico de um tumor.
A ressonância é a exceção
Nem todo método é recomendado da mesma forma. A ressonância magnética das mamas costuma usar contraste à base de gadolínio, que atravessa a placenta e tem uso evitado na gestação, salvo em situações muito específicas. Por isso, a ressonância fica reservada para depois do parto, na maioria dos casos.
A biópsia por agulha, guiada por ultrassom, pode ser feita com segurança durante a gravidez. O procedimento usa anestesia local e permite confirmar ou afastar o câncer, definindo o planejamento do tratamento sem interromper a gestação. Quando o diagnóstico se confirma, cirurgia e alguns tipos de quimioterapia podem ser realizados ainda durante a gravidez, conforme o trimestre.
Amamentar não impede a mamografia
Durante a amamentação, as mamas ficam mais densas por causa do tecido glandular ativo e do leite, o que pode dificultar a leitura da imagem. A dificuldade não impede o exame. A orientação é amamentar ou retirar o leite pouco antes da mamografia, reduzindo o volume da mama e melhorando a visualização.
O exame não altera a qualidade do leite, e a mulher pode continuar amamentando normalmente depois. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, interromper o rastreamento ou a investigação apenas por estar amamentando é uma decisão que raramente se justifica.
Mastite que não melhora precisa de investigação
A mastite, inflamação comum na amamentação, causa vermelhidão, dor, calor local e, às vezes, febre. Em geral, responde bem ao tratamento em poucos dias. Quando os sinais persistem apesar da medicação, é preciso descartar outras causas, como abscesso ou, mais raramente, o carcinoma inflamatório, forma agressiva de câncer de mama que pode imitar uma infecção.
A gestação e o puerpério exigem, portanto, atenção redobrada às mamas, e não o adiamento do cuidado. Conforme explica Vinicius Rodrigues, informar gestantes e lactantes sobre os exames seguros em cada fase é uma maneira simples de evitar que uma alteração importante seja confundida com uma mudança natural do período.

