Paulo Roberto Gomes Fernandes acompanha os desdobramentos do projeto de túnel que pretende abrigar um novo trecho do oleoduto Linha 5 sob o Lago de Michigan, nos Estados Unidos, em meio a um debate mais intenso sobre custos e segurança. O assunto ganhou força após um relatório de uma organização canadense sugerir valores bem acima dos estimados inicialmente, enquanto a Enbridge, operadora do sistema, contestou os números e reafirmou a intenção de avançar assim que o licenciamento federal estiver concluído.
O que o relatório coloca em dúvida sobre custos e viabilidade
O estudo do Institute for Energy Economics and Financial Analysis (IEEFA), ligado a grupos indígenas e ambientalistas do Canadá, sustenta que o custo do túnel poderia ser muito superior ao valor divulgado em 2018. Sob a perspectiva de Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse tipo de análise costuma reposicionar a obra como decisão econômica, não apenas técnica, principalmente em cenário de transição energética e eletrificação. Ainda assim, projetos subterrâneos longos costumam ter orçamentos sensíveis a revisões de escopo, exigências ambientais e reprogramações de cronograma, fatores que alteram premissas ao longo do tempo.
Licenciamento, cronograma e o peso das aprovações
A Enbridge informou que pretende iniciar as obras após obter a última licença pendente do Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos. Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, atrasos regulatórios podem afetar diretamente o custo final, pois pressionam contratos e prolongam etapas de estudo e mobilização. O projeto já havia obtido autorizações relevantes em Michigan, incluindo o Departamento de Meio Ambiente, Grandes Lagos e Energia (EGLE) em 2019 e a Comissão de Serviço Público de Michigan (MPSC) em 2023, enquanto a declaração de impacto ambiental federal segue como peça central do processo.
O contexto operacional também alimenta o debate. Construído em 1953, o Linha 5 transporta cerca de 540 mil barris por dia de petróleo bruto leve, petróleo sintético leve e líquidos de gás natural, conectando o noroeste de Wisconsin a Sarnia, no Canadá, e cruzando o Estreito de Mackinac, entre os lagos Michigan e Huron. Contudo, por atravessar uma área ambientalmente sensível, o oleoduto se tornou alvo de disputas judiciais e pressões pelo encerramento, o que amplia o grau de escrutínio sobre qualquer solução de longo prazo.

Incidentes anteriores e a proposta de tirar o risco do ambiente
Falhas e danos registrados nos últimos anos reforçaram a percepção de vulnerabilidade. Em 2014, foram identificados problemas no revestimento protetor no Estreito de Mackinac, e em 2018 uma âncora danificou a tubulação em três pontos. Conforme analisado por Paulo Roberto Gomes Fernandes, episódios assim tendem a ampliar a preocupação pública por envolverem fatores externos difíceis de controlar, como tráfego, gelo e interferências mecânicas.
A proposta prevê um túnel de aproximadamente sete quilômetros, com diâmetro interno em torno de cinco metros, escavado abaixo do leito rochoso e revestido em concreto, abrigando novas tubulações afastadas de correntes, gelo e impactos externos. Paulo Roberto Gomes Fernandes comenta que a lógica técnica é transferir o ativo para um ambiente de inspeção e manutenção mais previsível, reduzindo a exposição a ocorrências fortuitas.
Desafios de execução e o que pode definir o desfecho
Mesmo com promessa de maior segurança, a execução é complexa. O lançamento da tubulação em um túnel longo, com trechos de descida e subida, exige controle rigoroso de atrito, alinhamento, suportação e sequenciamento operacional. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que, em obras subterrâneas, o método construtivo e os detalhes de instalação costumam determinar risco, prazo e custo tanto quanto a concepção do projeto.
A divergência de números segue como ponto sensível. A estimativa inicial indicava cerca de US$ 500 milhões, enquanto o relatório menciona hipótese de custo próximo de US$ 950 milhões, sem considerar inflação. A Enbridge afirma que revisões de escopo são comuns e declara manter garantias financeiras superiores a US$ 1,8 bilhão, conforme exigência do acordo com Michigan. Por fim, nota-se que a decisão dependerá de uma equação difícil, em que segurança, proteção ambiental, demanda energética e viabilidade econômica precisam convergir com uma engenharia executável e validada.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

