Itajaí, em Santa Catarina, vive um dos momentos mais expressivos de sua história recente como polo náutico nacional. A cidade completou 166 anos em 2026 em meio a um ciclo de expansão que combina indústria, exportação, turismo e novos projetos de infraestrutura voltados às águas, consolidando de vez seu papel como referência para o setor no Brasil. Responsável por 35% da produção nacional de barcos e por 70% da produção catarinense, segundo a Acatmar, a cidade é reconhecida como o principal polo náutico do país, reunindo indústria, exportação, turismo marítimo, construção naval, pesca, serviços especializados e novos projetos de infraestrutura ligados às águas.
O peso econômico da náutica catarinense
Os números ajudam a entender por que Itajaí ocupa esse lugar de destaque. Santa Catarina responde por cerca de 65% da produção nacional de embarcações de esporte e lazer e por 90% das exportações do segmento, de acordo com a associação náutica Acobar. Além disso, Itajaí assumiu em 2026 a liderança nacional em exportação de barcos de recreio, somando US$ 4,3 milhões apenas nos primeiros quatro meses do ano, conforme dados do Comex Stat. Esse desempenho reforça o argumento de especialistas do setor de que a chamada Economia do Mar, ou Economia Azul, deixou de ser um nicho e passou a funcionar como motor real de geração de emprego e renda em regiões costeiras.
O impacto vai além das fábricas de embarcações. Segundo levantamento da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina, as atividades ligadas ao uso produtivo do mar empregam cerca de 250 mil profissionais, o equivalente a 8,5% da força de trabalho formal catarinense. É um dado que coloca a náutica no mesmo patamar de outros setores tradicionalmente vistos como pilares da economia estadual, e que ajuda a explicar o volume de investimentos recentes anunciados para a cidade.
Novos projetos de infraestrutura ligados às águas
Entre as obras em andamento, chama atenção o futuro terminal de cruzeiros de Itajaí. O projeto está estimado em mais de R$ 300 milhões e foi projetado para receber os maiores transatlânticos do mundo. A cidade também inaugurou recentemente um novo espaço público voltado ao lazer à beira-mar. O Parque Náutico e Ecológico Odemar Müller foi inaugurado ao lado da Marina Itajaí, com mais de 12 mil metros quadrados voltados à convivência, contemplação e lazer, além do Boulevard Marina Itajaí, descrito como o maior shopping náutico voltado para as águas no Brasil. Juntos, esses projetos reforçam a posição da cidade como eixo de produção, turismo, comércio, serviços e requalificação urbana ligados diretamente à economia marítima.
Marina Itajaí Boat Show reforça o calendário do setor
Parte dessa movimentação também passa pelo calendário de eventos. O Marina Itajaí Boat Show 2026, quarta edição do salão em Santa Catarina, ocorreu entre os dias 2 e 5 de julho, na Marina Itajaí. A programação foi ampliada em relação às edições anteriores. Ela incluiu embarcações na água, test drives organizados pelos expositores, shopping náutico flutuante ampliado, praça gastronômica no molhe, um espaço de conteúdo batizado de Náutica Talks, experiências para famílias, passeios de vela com o Itajaí Sailing Team e atrações ligadas à tecnologia e à sustentabilidade. Um dos destaques ficou por conta de uma embarcação nacional voltada à transição energética do setor. O evento também recebeu a apresentação do JAQ H1, barco brasileiro de 36 metros que opera com hidrogênio verde e reduz em até 80% as emissões de CO₂. AgitabrasilAgitabrasil
O evento vem crescendo edição após edição, o que reforça sua relevância para quem acompanha o setor de perto. Na edição anterior, o Marina Itajaí Boat Show registrou recorde de público, com 22 mil visitantes, e teve lançamentos globais fabricados na própria cidade. Para quem organiza o calendário náutico do país, o salão de Itajaí já figura ao lado de outras datas importantes. O calendário de Boat Shows no Brasil em 2026 inclui ainda o São Paulo Boat Show, de 24 a 29 de setembro, o Salvador Boat Show, de 5 a 8 de novembro, e o Salão de Usados Náutica, de 19 a 22 de novembro.
Um público que vai além dos compradores de barcos
Um ponto que costuma gerar dúvida entre quem não acompanha o mercado é se vale a pena visitar um evento desse porte sem intenção imediata de comprar uma embarcação. Segundo profissionais do setor, a resposta é sim, já que o salão funciona como vitrine de tendências, tecnologia e novos formatos de acesso ao universo náutico, muito além da simples exposição de lanchas e iates de alto padrão. Thalita Vicentini, diretora da Boat Show Eventos, afirma que o setor é mais amplo do que muita gente imagina, reunindo desde barcos de entrada, cotas compartilhadas e aluguel até grandes iates, o que aproxima públicos de diferentes perfis e níveis de investimento. Segundo ela, o evento funciona como ponto de contato importante para quem quer entender custos, comparar modelos e se aproximar desse universo pela primeira vez.
Fluxo turístico também impulsiona a região
O crescimento da náutica em Itajaí conversa diretamente com o turismo da região. Entre os estados de origem dos visitantes, o Paraná foi o terceiro principal emissor de turistas para a região, com 16,8%, atrás apenas do Rio Grande do Sul, com 18,4%, e de Santa Catarina, com 17,4%. Em cidades vizinhas o efeito também é sentido de forma direta. Em Balneário Camboriú, destino próximo a Itajaí, os paranaenses lideram entre os turistas brasileiros, com 19,3% do público. Esse fluxo turístico regional, somado à força industrial da cidade, ajuda a explicar por que Itajaí conseguiu atrair tantos investimentos simultâneos em infraestrutura marítima nos últimos anos. Gazeta do PovoGazeta do Povo
Frota nacional de embarcações também cresce
Os dados de fiscalização da Marinha do Brasil reforçam esse cenário de expansão em todo o país, não apenas em Santa Catarina. O Brasil registrou 1,14 milhão de embarcações ativas entre 1995 e 2025, segundo dados da Marinha do Brasil organizados por Distrito Naval. A distribuição regional dessa frota, no entanto, revela um dado que surpreende: o 8º Distrito Naval, que abrange Paraná, São Paulo e o sul de Minas Gerais, concentra 427 mil dessas embarcações, ou 37% de toda a frota nacional, liderando o ranking do país à frente do 1º Distrito, que reúne Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte de Minas, com 176 mil, e do 5º Distrito, que cobre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com 175 mil. O número mostra que o interesse pela náutica não se concentra apenas nos estados de litoral mais tradicional, e que rios, represas e reservatórios também respondem por uma fatia relevante do universo de embarcações registradas no país.
O que esperar do calendário náutico até o fim do ano
Com o Marina Itajaí Boat Show encerrado, o setor volta as atenções para os próximos compromissos do calendário nacional, que incluem o São Paulo Boat Show em setembro e o Salvador Boat Show em novembro. Para quem pretende comprar uma embarcação, participar de um dos salões costuma ser uma forma prática de comparar modelos, entender condições de financiamento e conhecer de perto lançamentos que só chegam ao mercado meses depois. Já para quem simplesmente acompanha o setor por curiosidade ou paixão pelo mar, os eventos seguem funcionando como termômetro de tendências que vão da eletrificação de motores até novos formatos de propriedade compartilhada de barcos, mostrando que a náutica brasileira segue em expansão consistente, apoiada em números concretos de produção, exportação e geração de emprego.
Fontes consultadas:
- https://www.agitabrasil.com.br/noticia/maior-polo-nautico-do-pais-itajai-sc-amplia-infraestrutura-ligada-ao-mar-e-recebe-boat-show-em-julho
- https://omaringa.com.br/noticias/geral/marina-itajai-boat-show-2026-inicia-em-santa-catarina-nesta-quinta-feira-2/
- https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/parana-sa/mercado-nautico-cresce-boat-show-itajai-2026-acesso-setor/
- https://comprenautica.com.br/blog/mini-transat-2027-salvador-regata-oceanica-impacto-economico/

