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Barcos

Embarcações elétricas ganham força no Brasil e apontam o futuro da navegação nacional

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
julho 15, 2026
8 Min de leitura
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O motor a combustão, símbolo histórico da navegação recreativa e comercial, começa a dividir espaço com uma nova geração de propulsão no Brasil. Ainda distante de ser maioria nas marinas do país, a eletrificação de barcos avança em ritmo acelerado em projetos que vão do transporte público aquaviário até lanchas de alto desempenho, mostrando que o setor náutico segue uma tendência já consolidada na indústria automotiva. O movimento levanta uma pergunta recorrente entre proprietários de embarcações e curiosos do mundo náutico: afinal, já é possível comprar um barco totalmente elétrico no Brasil, ou o país ainda vive a fase de testes dessa tecnologia?

Contents
Protótipos avançam, mas a venda ainda é limitadaDa Amazônia ao Sul do país, projetos reais já navegamTecnologia embarcada ganha espaço na navegação comercialAlta performance também entra na conversaEnergia solar também aparece como aliada em embarcações maioresO que considerar antes de apostar na eletrificaçãoUm movimento que deve se intensificar nos próximos anos

Protótipos avançam, mas a venda ainda é limitada

A resposta, por enquanto, é mista. A maior parte dos barcos, lanchas, veleiros e iates elétricos disponíveis no país segue em fase de protótipo, teste ou desenvolvimento, o que torna difícil encontrar um modelo totalmente elétrico à venda em uma marina ou loja de embarcações convencional. A alternativa mais acessível hoje é a embarcação híbrida, que combina motor elétrico e motor a combustão, reduzindo o consumo de combustível sem depender exclusivamente de baterias. Segundo especialistas do setor, o tamanho da embarcação costuma ser decisivo para escolher entre as duas opções. Barcos de até 22 pés, como muitos modelos usados para pesca, já conseguem funcionar de forma totalmente elétrica com o uso de baterias, enquanto embarcações maiores ainda dependem de motores a diesel ou gasolina para manter potência e eficiência de navegação.

Da Amazônia ao Sul do país, projetos reais já navegam

Apesar dos desafios técnicos, o Brasil já conta com iniciativas concretas fora do papel. Na Amazônia, a Universidade Federal do Pará apresentou o Poraquê, primeiro catamarã elétrico e totalmente sustentável da região, batizado em referência ao peixe elétrico típico do rio. A embarcação é movida a energia solar, tem capacidade para 25 passageiros e dois tripulantes e conta com plataformas de acesso para cadeirantes nos pontos de embarque. O projeto integra um sistema mais amplo de mobilidade elétrica da universidade, que já opera ônibus elétricos no campus, e a expectativa é atender cerca de mil passageiros por dia entre estudantes, servidores e usuários dos serviços da instituição.

Já em Santa Catarina, Florianópolis avalia um projeto piloto para levar embarcações elétricas ao transporte lacustre da Lagoa da Conceição, hoje realizado por 28 barcos movidos a diesel. A iniciativa, batizada de Carapeva, é uma parceria entre a Cooperbarco, cooperativa local de barcos autônomos, e uma empresa de engenharia de Itajaí especializada em embarcações totalmente elétricas. Segundo a cooperativa, a troca do diesel pela eletricidade pode reduzir os custos de cada viagem em até 80%, com potencial de baratear futuramente o preço da passagem para os moradores da região. O protótipo inicial, projetado para 30 passageiros, teve o valor estimado em R$ 700 mil, cifra que deve ser revista após a decisão de ampliar a capacidade para 50 lugares sentados.

Tecnologia embarcada ganha espaço na navegação comercial

O uso de propulsão elétrica também avança em atividades comerciais de grande porte. Em São Paulo, a Praticagem responsável por guiar navios nas entradas e saídas dos portos de Santos e de São Sebastião já opera lanchas equipadas com propulsores eletrônicos, que geram economia estimada em 10% em relação aos motores convencionais a diesel. A expectativa do setor é ampliar ainda mais esse ganho com uma nova lancha desenvolvida em parceria com a fabricante WEG, dedicada especificamente a operações de praticagem. O caso mostra que a eletrificação náutica não se limita ao lazer, atingindo também operações estratégicas para o funcionamento do maior porto da América Latina.

Alta performance também entra na conversa

Enquanto projetos de transporte público priorizam economia e sustentabilidade, outra frente da eletrificação náutica mira desempenho. A fabricante canadense ENVGO apresenta o NV1 como o primeiro barco de hidrofólio elétrico de alto desempenho do mundo. A embarcação, de 7,6 metros, promete atingir 80 km/h com autonomia de 100 km em uma única carga, graças a um hidrofólio, espécie de asa submersa que eleva o casco acima da água e reduz o arrasto durante a navegação. Em velocidades mais baixas, o fabricante afirma que o modelo se comporta como uma embarcação convencional, e as quilhas retráteis facilitam tanto o reboque quanto a proteção dos equipamentos quando o barco não está em uso.

Energia solar também aparece como aliada em embarcações maiores

Outra frente de inovação testada por fabricantes do setor envolve a geração de energia a bordo por meio de painéis solares, usada não para movimentar a embarcação, mas para abastecer sistemas internos. Um exemplo é a tecnologia adotada pela Riviera Yachts, que gerou aproximadamente 10 kWh por dia em um barco de 58 pés, segundo dados divulgados pela própria marca. Esse tipo de solução tende a ganhar espaço primeiro em embarcações de maior porte, onde há área suficiente para instalação dos painéis sem comprometer o design ou o desempenho do casco.

O que considerar antes de apostar na eletrificação

Para quem avalia migrar para uma embarcação elétrica ou híbrida, alguns pontos técnicos merecem atenção antes da decisão de compra. O peso do motor elétrico costuma ser um fator limitante em barcos maiores, já que a potência gerada tende a ser menor do que a de motores a diesel ou gasolina equivalentes, o que pode impactar diretamente a eficiência de navegação em embarcações de maior porte. Por outro lado, embarcações pequenas voltadas à pesca, caiaques e botes de rio se adaptam bem à propulsão totalmente elétrica, já que não exigem tanta potência para operar com segurança. Outro ponto de atenção é a rotina de recarga da bateria, essencial para manter o desempenho da embarcação ao longo do tempo e evitar problemas durante a navegação.

Um movimento que deve se intensificar nos próximos anos

Os exemplos reunidos em diferentes regiões do Brasil, da Amazônia ao Sul do país, passando pelo litoral paulista, mostram que a eletrificação náutica já deixou de ser apenas uma promessa distante e começa a ganhar aplicações reais, ainda que em escala limitada. A tendência acompanha movimentos semelhantes observados em mercados como o europeu e o norte-americano, que vêm endurecendo regras ambientais para embarcações e restringindo a circulação de motores movidos a combustíveis fósseis em determinadas áreas. Para o consumidor brasileiro, a expectativa é que a oferta de embarcações elétricas e híbridas se amplie gradualmente nos próximos anos, à medida que projetos-piloto como os de Belém e Florianópolis avancem da fase de teste para a operação comercial plena, e que fabricantes internacionais tragam ao país tecnologias já validadas em outros mercados.

Fontes consultadas:

  • https://ufpa.br/lancamento-do-primeiro-catamara-eletrico-e-totalmente-sustentavel-da-amazonia/
  • https://nautica.com.br/barco-eletrico-hidrofolio-promete-80-km/
  • https://autopapo.com.br/noticia/lanchas-eletricas-a-vista/
  • https://ndmais.com.br/infraestrutura/projeto-quer-utilizar-barcos-100-eletricos-na-travessia-para-a-costa-da-lagoa-em-florianopolis/
  • https://marinaimperial.com.br/barcos-eletricos-no-brasil/
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